Desde março, quando comecei um tratamento para alinhar meus dentes, tô com hiperfoco no assunto. E é provável que esse seja o principal motivo que me levou a tirar Dentes, do Domenico Starnone, da estante.

O livro narra a história de um homem com dentes incisivos proeminentes que, durante uma briga conjugal, leva um golpe de cinzeiro na boca.
“No início da tarde de 6 de março de três anos atrás, perdi dois incisivos numa tacada só. Eram os que me serviam para pronunciar meu nome.”
A partir dessa situação, vamos conhecendo o personagem que, assim como em outras histórias do autor, é o que a internet costuma chamar de esquerdomacho. Um intelectual com pouco apreço pelas mulheres de sua vida e uma forte queda por se fazer de vítima. Entre consultas malsucedidas com dentistas, descobrimos que o protagonista deixou a esposa e os três filhos para viver com a atual companheira, Mara, que atravessa crises consecutivas de ciúmes e que os dentes proeminentes sempre foram uma questão para sua autoestima.
De forma irônica, Domenico Starnone constrói um retrato um tanto patético desse homem. Apesar da ótima premissa – quem não gosta de rir de esquerdomacho? – a leitura desemboca em uma repetição cansativa. O autor escreve bem, constrói imagens sensacionais, mas, na minha opinião, o romance se encaixaria melhor no formato de conto. De sua autoria, sigo preferindo Laços.



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