A parede, de Marlen Haushofer

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Uma mulher viaja para uma temporada no chalé de caça na companhia de sua prima e seu marido. Chegando lá, os dois saem para um drink na cidade, enquanto ela os aguarda preparando o jantar. O casal não volta e, no dia seguinte, ela descobre que está rodeada por uma parede invisível e que, aparentemente, todas as pessoas ao redor foram petrificadas. A partir daí, a personagem passa a construir estratégias de sobrevivência com o que restou dos mantimentos e com os animais que também ficaram do lado de cá da parede: o cachorro Lince, uma gata e uma vaca que surge do bosque.

Tudo isso acontece logo no primeiro terço do livro. Nas páginas seguintes, acompanhamos lentamente as descobertas desse novo modo de viver de forma bastante contemplativa. A personagem desenvolve um afeto gigantesco pelos animais e aprende, aos poucos, a sobreviver apenas com o que a natureza provê.

É muito interessante ver como esse livro, de 1962, já discute um pouco da pressa e da falta de sentido que a criação das cidades e do capitalismo nos impõe. Quando nada mais existe, o que nos resta é aprender a sobreviver e a se integrar à natureza de modo que, garantindo a sobrevivência de outros seres vivos, possamos também garantir a nossa. 

Eu amei muito ler esse livro, mesmo não gostando muito da forma como ele terminou. O mais interessante dessa história é seu curso e o que ela nos faz sentir diante de um cenário que, a princípio, parece apocalíptico, mas aos poucos vai se revelando também libertador.

Livro: A parede, Marlen Haushofer (trad. Sofia Mariutti)

Editora: Todavia

Ano de publicação: 2025

Nº de páginas: 257

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