
Este livro do Rodrigo Casarin tem duas características que costumam ser um antídoto perfeito para quando não estou conseguindo engatar em nenhuma leitura: 1) é uma coletânea de textos curtos – nesse caso, crônicas; e 2) fala sobre ler, escrever e a relação de leitores com suas paixões. Não sei se funciona assim pra todo mundo, mas, pra mim, essa é uma ótima forma de ir retomando aos poucos o ritmo e abre espaço para que os romances mais cascudos (ou não) voltem a fluir.
Em A biblioteca do fim do túnel – Um leitor em seu tempo, estão reunidas crônicas de 2017 a 2022, publicadas, em sua maioria, na coluna Página Cinco, que o jornalista mantém no UOL. O livro é dividido em três capítulos – Prazeres, angústias e fracassos entre os livros, Os livros e o caos fora da biblioteca e Bons autores, grandes histórias e um leitor -, nos quais estabelece um diálogo entre as nossas bibliotecas e o que acontece fora delas.
Acompanho o trabalho do Rodrigo com alguma frequência e já sabia o que esperar: são textos despretensiosos, que não fogem dos temas espinhosos e buscam se distanciar de uma ideia esnobe da literatura. Ao longo das páginas, o autor assume seus fracassos com alguns clássicos, não poupa críticas ao ex-presidente miliciano e homenageia seus escritores e leitores favoritos.
Como boa parte do recorte temporal das publicações coincide com um dos momentos mais traumáticos da nossa história recente, são muitos os textos que tratam da pandemia e da forma como ela alterou nossa relação com a leitura. Se por um lado, esse aspecto deixa o livro ligeiramente datado, por outro, é interessante olhar pra trás e lembrar como a literatura foi uma parceira fundamental para que atravessar os dias de isolamento.
Boa pedida para renovar os votos!



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