Uma breve lista de histórias breves

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Quando terminei de ler A loteria e outros contos, da Shirley Jackson, escrevi no Instagram que tenho a impressão de que escrever um bom livro de contos dá mais trabalho que um romance tradicional. É uma opinião sem muita credibilidade, porque não sou escritora, mas sustento a tese como uma leitora sempre deslumbrada pela infinidade de universos, personagens e detalhes que cabem em uma coletânea de histórias curtas.

Nos últimos meses, tive a sorte de ler alguns livros que ajudaram a sustentar meu entusiasmo com o gênero e, por um motivo ou outro, não escrevi sobre eles. Aqui, uma listinha:

Intérprete de Males, Jhumpa Lahiri

É comum que coletâneas de contos tenham altos e baixos, mas esse não é o caso de Intérprete de Males. Adorei a leitura do início ao fim. Jhumpa Lahiri é filha de indianos, nasceu em Londres e cresceu nos EUA. As histórias desse livro têm a ver com essa experiência: são contos sobre indianos vivendo fora do país natal, indo-americanos em visita à Índia ou pessoas que, mesmo no país de origem, se sentem estrangeiras.

Felizes os felizes, Yasmina Reza

Li Felizes os felizes no ano passado e foi um deleite, porque gosto de olhar com algum humor para a infelicidade e é isso que a autora se propõe a fazer. As histórias do livro são sobre pequenas ou grandes angústias/tristezas/incômodos e vão se cruzando, embora também funcionem forma independente. O jogo de palavras do título é tão maravilhoso quanto o conteúdo.

Meninas, Lyudmila Ulitskaya

Meninas, da Lyudmila Ulitskaya reúne seis contos ambientados na década de 1950, na Rússia. Assim como em Felizes os Felizes, as personagens se repetem em diferentes contos, como se fossem fragmentos da vida de uma turma de amigas pré-adolescentes. Mistura de memória e ficção, Meninas é uma ótima janela para acessar a intimidade e o cotidiano da Rússia soviética.

Homens sem Mulheres, Haruki Murakami

O título Homens sem mulheres é o resumo perfeito para o que você vai encontrar nesse livro: contos sobre homens que, por ocasião de términos, perdas, falta de capacidade ou de interesse não estão se relacionando com nenhuma mulher. De modo geral, mais que contar uma história com início, meio e fim, o autor está interessado em investigar os comportamentos e a relação dos personagens e acho que esse é o grande trunfo desses contos (e de tudo que já li dele) que, ora são surrealistas, ora realistas.

A fúria, Silvina Ocampo

E, pra finalizar, uma roubadinha. Não li recentemente, mas A Fúria é um favorito da vida e recomendo sempre que tenho a oportunidade. Tem personagem golpista, absurdo, traição, maldade, suspense. Tudo isso feito com a inventividade de quem sabe contar boas histórias boas e deixar a gente com inveja da criatividade alheia.

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