Vou começar contando que não faço parte do time de amantes de podcasts e séries sobre true crime. Salvo raras exceções, meus medos e neuroses me impedem de chegar ao fim dessas histórias. Mas com A sangue frio – um dos pioneiros do gênero – foi um pouco diferente.

O livro, publicado pela primeira vez em 1965, narra os desdobramentos do assassinato de uma tradicional família do interior do Kansas, os Clutter, aprofundando na história de vida dos criminosos e em como o caso foi tratado pela comunidade local. Desde o início sabemos o que aconteceu (roubo seguido de assassinato), quem cometeu o crime (Perry Smith e Dick Hickock) e qual foi a sentença para os assassinos (execução). Apesar de ter todas essas informações, é quase impossível deixar essa leitura de lado antes de chegar ao fim.
Diferentemente de um livro reportagem, cujo objetivo é narrar os fatos, Capote apresenta os acontecimentos, transitando entre o relato jornalístico e o relato ficcional. Com recursos literários, o autor cria ambientações detalhadas para as cenas, descreve diálogos e alterna a temporalidade dos acontecimentos. Segundo o próprio Truman – cuja fama de pretensioso é conhecida – o livro inaugurou um novo gênero: o romance sem ficção.
Para mim, um dos grandes trunfos da forma como essa história é contada é nos fazer encarar a realidade de como a violência se constrói na vida dos indivíduos que a cometem e também como a gente pode ser conivente com ela quando pensamos em nossos modelos de justiça. Super recomendo!
Livro: A Sangue Frio, Truman Capote
Tradução: Sergio Flaksman
Editora: Companhia das Letras
Ano de publicação: 1965
Nº de páginas: 433




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